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Informações gerais sobre tintas e pintura imobiliária

Para obter um bom resultado na pintura, todo o sistema precisa ser adequado. Isso inclui a preparação da superfície, a escolha da tinta e de produtos complementares, a utilização das técnicas corretas para aplicação dos produtos.

Preparação da superfície a ser pintada

É preciso fazer uma limpeza completa, que remova qualquer material que possa contaminar a pintura. A superfície precisa estar firme, uniforme (sem buracos ou rachaduras), seca e sem poeira, gordura, graxa, sabão ou mofo. Antes de pintar, é preciso verificar e corrigir imperfeições na parede, com argamassa ou massa corrida. Em caso de reboco novo, é preciso aguardar 28 dias no mínimo para a sua secagem, antes da pintura.

Os principais problemas causados pela falta de uma preparação correta da superfície são:

  • Eflorescência (formação de manchas esbranquiçadas na parede pintada, por causa do reboco úmido)
  • Saponificação (junção da umidade com substâncias da cal e do cimento que compõem o reboco, formando manchas)
  • Desagregamento (a pintura se solta da parede, junto com parte do reboco, esfarelando)
  • Descascamento ou calcinação
  • Formação de bolhas
  • Aparecimento de manchas
  • Fissuras e trincas

Como escolher as tintas

A escolha da tinta deve ter como primeiro critério a superfície onde será aplicada: alvenaria, metal ou madeira. O segundo critério básico é o local onde será aplicada: interior ou exterior do imóvel e o tipo de cômodo. Após a definição do local, é importante verificar se a tinta atende às especificações mínimas determinadas pelas normas técnicas brasileiras. Esse é o melhor critério técnico para saber se uma tinta tem padrões mínimos de qualidade. Vários fabricantes de tintas participam do Programa Setorial da Qualidade – Tintas Imobiliárias, ligado ao PBQP-H do Ministério das Cidades, que tem como objetivo melhorar a qualidade das tintas no mercado brasileiro. Esses fabricantes estão comprometidos em fabricar seus produtos com a qualidade exigida por estas Normas. Os participantes do programa podem ser conhecidos em www.tintadequalidade.com.br, onde também podem ser encontradas dicas de pintura, simuladores de ambiente e outras informações.

Para paredes de alvenaria, os principais tipos são as tintas látex acrílicas, tintas látex PVA, tintas vinil-acrílicas e texturas. Em ambientes internos, podem ser aplicados os três tipos de tinta látex – Econômica, Standard e Premium –, cabendo a cada consumidor, de acordo com seu gosto, a escolha da cor e do tipo de acabamento (fosco, acetinado e brilhante). Em ambientes externos (fachadas), em que existe a necessidade de maior resistência, em função do intemperismo, devem ser usadas as tintas classificadas como Standard e Premium. Existem ainda tintas para aplicações específicas, como para utilização em banheiros ou em imóveis no litoral, que têm características apropriadas para esses ambientes.

Deve ser destacado que o nível de qualidade (Econômica, Standard ou Premium) da tinta indica o atendimento a requisitos mínimos ligados a durabilidade, lavabilidade e poder de cobertura, como pode ser visto na tabela a seguir:

Requisitos Unidade Limites mínimos de desempenho
Econômica* Standard Premium
Poder de cobertura de tinta seca m2/litro 4,0 5,0 6,0
Poder de cobertura de tinta úmida % 55,0 85,0 90,0
Resistência à abrasão úmida sem pasta abrasiva Ciclos 100
Resistência à abrasão úmida com pasta abrasiva Ciclos 40 100

Para as madeiras (portas, janelas etc.), é sempre recomendado o uso de vernizes, stains, esmaltes ou tintas a óleo, que evitam rachaduras e trincas e as protegem de envelhecimento precoce, desbotamento e deterioração, repelindo a água e combatendo a formação de fungos, além de manter o ambiente agradável. Madeiras em áreas externas, expostas à ação do sol, chuva e maresia, devem receber atenção especial, com vernizes com filtro solar e esmaltes Premium.

A escolha do acabamento para a madeira (verniz, stain, esmalte ou tinta a óleo) depende do gosto pessoal e de fatores como o local de aplicação e o grau de proteção desejado. É preciso destacar que nem sempre a solução tecnicamente mais adequada será a que mais agrada ao cliente, do ponto de vista estético. Da mesma forma, uma escolha feita levando-se conta exclusivamente os aspectos estéticos poderá não trazer a solução para o problema existente.

Em termos de características e de efeitos estéticos, existem diferenças entre os três tipos de produto. Os stains colorem, são sempre foscos, não escondem o substrato e não formam filme sobre a madeira, conferindo um aspecto mais natural e rústico a ela. Já os vernizes podem ser usados, nas versões brilhante e acetinado, para dar um acabamento mais sofisticado, destacando o substrato. Diferentemente dos vernizes e stains, as tintas a óleo e os esmaltes escondem os veios da madeira e a colorem.

No caso de metais, os produtos indicados são os esmaltes e a tinta a óleo, tanto para o interior quanto para o exterior dos imóveis.

Há também diversos complementos à linha de tintas imobiliárias, como massas niveladoras, massas corridas, fundos, seladores e outros.

Tipos de tintas

Para paredes de alvenaria, os principais tipos são as tintas látex acrílicas, tintas látex PVA, tintas vinil-acrílicas e texturas.

É importante destacar que tintas acrílicas são um dos tipos de tintas látex: existem tintas látex PVA e tintas látex acrílicas. A principal diferença entre elas é a resina utilizada. As tintas PVA usam acetato de polivinila, enquanto as acrílicas são à base de resina acrílica. Existem ainda as tintas vinil-acrílicas. Muita gente ainda acredita que as tintas acrílicas são indicadas para uso externo enquanto as PVA estão restritas aos ambientes internos, em função de fatores como lavabilidade e durabilidade. Essa informação nem sempre é verdadeira, pois existem tintas acrílicas Econômicas, indicadas apenas para uso interior, assim como tintas látex PVA Standard e Premium, que podem ser aplicadas em fachadas sem nenhum problema.

Os acabamentos variam entre fosco, acetinado, semibrilho e brilhante.

Para metais e madeiras, os mais comuns são esmaltes sintéticos, tintas a óleo, vernizes e stains.

Há também diversos complementos à linha de tintas imobiliárias, como massas niveladoras, massas corridas, fundos, seladores e outros.

Massa corrida

A massa corrida (massa niveladora) é usada para corrigir imperfeições rasas no reboco, sendo indicada a massa exterior para superfícies externas e massa interior para superfícies internas.

Após a aplicação da massa, deve-se esperar que seque para então lixá-la, respeitando o tempo recomendado pelo fabricante. Depois disso, deve ser retirado o pó com um pano limpo e então o local pode ser pintado.

Lixamento

De uma forma geral, o lixamento deverá ser feito nas seguintes fases da pintura:

  • Superfícies novas: lixar antes da aplicação de qualquer produto.
  • Superfícies já pintadas (repintura): lixar antes da aplicação de qualquer produto, com o objetivo de fosquear as superfícies brilhantes e melhorar a aderência.
  • Após aplicação e secagem do fundo, efetuar lixamento suave.
  • As massas niveladoras também devem ser lixadas após a secagem (cerca de 5 horas após a aplicação).

São utilizados normalmente quatro tipos de lixa:

  • Lixas para alvenaria: 150-180
  • Lixas para madeira: 80-150; 180-240; 360-400
  • Lixas para metais: 80-150 e 360-400
  • Lixas para massas: 220-240

Sequência recomendada para pintar um ambiente

O ideal é começar pelo teto, pintando depois as paredes. Em seguida, devem ser pintadas as portas, as janelas e no final os rodapés.

A pintura das áreas externas deve ser feita antes de pintar as áreas internas.

Materiais necessários para a pintura

Além das tintas, fundos e massas, é necessário ter rolos, trinchas e pincéis, caçambas ou bandejas, fitas adesivas, lixas, espátulas de aço (para aplicar massas em pequenas áreas e remover a pintura velha) e desempenadeiras de aço (para aplicação de massas em grandes áreas).

Para todas as ferramentas e equipamentos, é importante estar atento à sua qualidade e à adequação para a utilização pretendida.

Em relação aos rolos, pincéis e trinchas, o que determina é a utilização que terão. Para áreas maiores, usam-se rolos, que são de diversos tipos. Os principais são:

  • Rolos de lã de carneiro ou lã sintética, usados para aplicação de tintas à base de água: látex PVA e acrílico.
  • Rolos de lã de pelo curto desenvolvidos para a aplicação de tintas à base de resina epóxi. Também podem ser usados para aplicar tinta látex proporcionando ótimo acabamento. Antes de usá-los na pintura de tinta látex, é preciso umedecê-las ligeiramente em água e depois retirar o excesso deslizando-os na parede.
  • Rolo de espuma poliéster para aplicação de esmaltes, vernizes, tintas a óleo e complementos como fundos para madeiras, para metais etc.
  • Rolos de espuma rígida para texturização, feitos de poliéster.

O pincel e a trincha são utilizados para a aplicação de esmaltes, vernizes, tintas a óleo, tintas látex e complementos, como fundos para madeiras, para metais, seladores etc. São especialmente indicados para pintura que não seja lisa e tenha muitos detalhes; em alvenaria são úteis para requadrar a superfície. A trincha é mais usada do que o pincel.

Existem diversos modelos de pincéis e trinchas, que devem ser escolhidos conforme a tinta a ser aplicada:

  • Cerdas escuras: indicadas para a aplicação de esmaltes sintéticos, tintas a óleo e complementos.
  • Cerdas grisalhas: indicadas para a aplicação em tintas látex e respectivos fundos.
  • Cerdas brancas: ideais para a aplicação de verniz e stains.

Como encontrar um pintor qualificado

Um caminho seguro para encontrar um pintor qualificado é acessar o Cadastro Nacional de Pintores de Imóveis, no site www.pintorprofissional.org.br. Esse cadastro contém os dados de contato de 5 mil pintores aprovados no programa de capacitação e avaliação Pintor Profissional ABRAFATI.

A consulta ao Cadastro é fácil e pode ser feita por cidade, bairro ou CEP, permitindo ao consumidor encontrar, na região onde vive, profissionais com competência reconhecida, capazes de pintar seu imóvel com excelentes resultados.

Precauções a serem tomadas / outras dicas

  • Evitar a pintura em dias chuvosos ou com ventos fortes, pois eles trazem poeira e outras sujeiras para a pintura. Também não é bom pintar quando a temperatura está muito baixa ou quando a umidade relativa do ar está acima de 90%.
  • Para a limpeza da superfície pintada, deve-se usar apenas água com detergente líquido e neutro e esponja macia. A limpeza deve ser feita de forma suave e homogênea, em toda a superfície pintada, enxaguando com água limpa. Não devem ser utilizados produtos abrasivos, que podem danificar a superfície pintada.  Não é recomendado o uso de equipamentos que utilizam água quente ou vapor, pois podem gerar manchas.
  • Para evitar sobras de tintas, a orientação é a de planejar antes de pintar, ou seja, calcular quanto vai usar de tinta, para a sobra ser a mínima possível. Isso significa adquirir apenas o material necessário, tirando as medidas da área que vai ser pintada antes de comprar ou indicar a quantidade de material que precisa. A regra é: “medir duas vezes e comprar apenas uma vez”.
  • Nunca se deve descartar a sobra de tinta em bueiros, rios ou no solo. O melhor caminho é reaproveitar, lembrando que tintas similares podem ser misturadas entre si. Ou seja, tintas base água podem ser misturadas com outras tintas base água; e tintas base solvente com outras tintas base solvente. Da mesma forma, deve ser destacado que, quando se misturam diversas cores, é fácil obter cores escuras, como o cinza ou o concreto. A mistura de diversos tons de branco também é recomendada, já que o resultado final ainda é tinta branca, que pode ser utilizada, por exemplo, como primeira demão de tetos, por exemplo. Outra possibilidade, que é ecológica e socialmente responsável, é doar para alguma associação de bairro, igreja, vizinho ou pessoa que necessite dos produtos. Como último recurso, a sobra de tinta deve ser “aplicada”, com o auxílio de pincel ou rolo, em jornais ou papéis de embrulho. Depois de seco, esse papel “pintado” pode ser descartado em lixo comum.

Fonte das informações:

Gisele Bonfim, química e gerente técnica da ABRAFATI (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas)