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Ameaças à competitividade das tintas

A indústria de tintas vem sentindo fortemente o impacto da desvalorização do real, que se reflete em aumento nos custos de matérias-primas que utiliza, das quais, em média, 62% têm seu preço atrelado ao dólar. Somam-se a isso outros fatores que comprimem a margem do setor, impossibilitado de repassar aumentos em um momento de demanda muito fraca. Entre eles, a inflação muito acima da meta, a manutenção das taxas de juros em níveis elevadíssimos, o fim da desoneração da folha de pagamentos e a da suspensão temporária da redução do imposto de importação do dióxido de titânio.

O prolongamento da crise política e econômica contribui para formar esse grande conjunto de ameaças à competitividade da indústria, pois leva ao adiamento de projetos de reformas e melhorias em imóveis, à redução do investimento na construção habitacional, à queda na demanda pelos mais variados bens pintados (como veículos, móveis, eletrodomésticos e inúmeros outros) e à não realização de obras de infraestrutura.  Essa combinação do forte aumento de custo com a acentuada queda da demanda está tendo um impacto muito negativo nos resultados financeiros e na competitividade do setor. O cenário atual é difícil. Apenas para o médio e longo prazo há oportunidades e perspectivas, que continuam sendo animadoras. Por exemplo, no que se refere às tintas imobiliárias, é possível destacar que o Brasil tem mais de 60 milhões de domicílios e boa parte deles precisa de melhorias, que, em geral, envolvem a pintura. Muitos deles, aliás, nunca chegaram a ser pintados, tendo blocos e reboco aparentes. Aos imóveis já existentes, soma-se a necessidade de novos, para atender ao crescimento populacional e à vontade das famílias de morar melhor.

É preciso lembrar, no entanto, que a indústria de tintas do Brasil é uma das principais do mundo, produzindo um volume anual de 1,4 bilhão de litros do produto. O setor está atualizado tecnologicamente, acompanha as principais tendências internacionais e lança constantemente novidades, oferecendo produtos de qualidade superior e ambientalmente corretos.  Isso nos permite afirmar que estamos preparados para o momento da retomada do crescimento e também para os novos desafios e demandas que a sociedade e o mercado nos colocam.

Há alguns anos, esse esforço em favor da evolução tecnológica passou a incorporar, cada vez mais fortemente, a preocupação com a sustentabilidade, que se tornou um dos principais motores da inovação no setor. Outra tendência a ser ressaltada é a crescente valorização da qualidade das tintas, o que estimula a inovação e a diferenciação.

Estamos atentos em relação aos desafios – que representam, ao mesmo tempo, grandes oportunidades – relacionados à sustentabilidade, à qualidade e à inovação, assim como à indispensável capacitação dos profissionais que atuam na cadeia produtiva de tintas, na revenda e na aplicação do produto. A ABRAFATI desenvolve programas e ações estruturados para atender a essas demandas, sempre mantendo o foco no seu objetivo principal, que é o desenvolvimento setorial sustentável.

Nesse trabalho, um dos caminhos que consideramos indispensável para enfrentar os desafios atuais e futuros é o que estamos trilhando com a Frente Parlamentar da Química, buscando maior integração de cadeia produtiva e união de esforços com o Poder Público, com o objetivo de promover o crescimento econômico e o desenvolvimento social. Essa é uma receita que tem tudo para dar certo, como mostram os resultados do trabalho voltado para a habitação de interesse social, desenvolvido pela cadeia de construção.

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(Artigo de Dilson Ferreira, presidente-executivo da ABRAFATI, publicado originalmente no Informativo da Frente Parlamentar da Química, de novembro/2015)



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