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Vendendo tintas em tempos difíceis

Dilson Ferreira*

A economia brasileira vive um momento delicado, refletindo o que já acontece no mundo todo. Há muitas incertezas no horizonte, gerando instabilidade e afetando a confiança dos mercados.

As previsões referentes ao crescimento do PIB caíram e hoje já começam a ser aceitos como normais percentuais abaixo de 2%.

Se essa situação persistir, os mais variados setores sentirão os efeitos da desaceleração das vendas, que serão agravados pelo alto nível de endividamento dos consumidores. As indústrias de tintas e as revendas serão diretamente impactadas. Os clientes já estão com uma postura mais conservadora e o movimento tende a diminuir. A construção de imóveis verá seu ritmo se reduzir, assim como as reformas e melhorias em imóveis. O mesmo acontecerá com os reparos em veículos. Os segmentos industriais que utilizam tintas também passarão a consumir menos.

Essa não será uma situação inédita para quem vive no Brasil. Já enfrentamos diversas crises e quem sobreviveu a elas tem experiência para lidar com situações adversas. Como sempre ocorre em momentos assim, a primeira reação é buscar formas de reduzir custos. Eliminar gastos desnecessários e supérfluos, adiar o que pode ser deixado para depois, racionalizar o uso de recursos são parte da receita para manter as contas em equilíbrio em períodos difíceis.

Isso é essencial, mas não basta. É preciso ir além da redução de despesas, procurando novas maneiras para estimular as vendas e atrair os clientes. Quem faz a diferença costuma arregaçar as mangas e trabalhar ainda mais, usando muita criatividade, inovando, procurando soluções e recursos para demonstrar ao consumidor a importância das tintas e da pintura. É hora de criar oportunidades para ampliar as vendas, oferecendo mais que simplesmente bons produtos a preços justos. Todos os serviços adicionais e diferenciais que puderem ser agregados serão bem-vindos, pois o público está ressabiado, além de ser cada vez mais exigente e ter seu dinheiro disputado por inúmeros produtos e serviços.

Cabe a nós, fabricantes e revendedores, fazer a nossa parte para que este ano seja melhor do que algumas previsões indicam. Uma boa notícia é que o governo tem agido para estimular a economia. As medidas são insuficientes para o País retomar seu bom desempenho econômico, mas ajudam a gerar oportunidades para estimular os negócios. A queda dos juros pode trazer alívio para empresas com dívidas – que podem ser renegociadas em melhores condições – e para atrair o consumidor para as compras, uma vez que o índice de desemprego continua muito baixo e o consumidor ainda mantém um razoável grau de confiança no futuro.

Os resultados de 2012 e 2013 dependem da atitude que nós assumirmos. Existem dificuldades e desafios a serem superados. Quem estiver disposto a inovar e ousar encontrará melhores possibilidades de obter resultados positivos. E estará mais preparado para a bonança que vem logo após a tempestade, como nos mostram todas as avaliações existentes sobre o futuro do Brasil.

Vamos vencer mais este momento difícil e, nos próximos anos, teremos um vasto leque de oportunidades para explorar. Afinal, o Brasil precisará de muita tinta em sua caminhada para se tornar um país mais rico, desenvolvido e socialmente justo.

* Publicado originalmente na revista Pintou na Artesp